segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
domingo, 5 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
O lenço - Henrique Rego, por Tiago Bettencourt
O lenço que me ofertaste
Tinha um coração no meio
Quando ao nosso amor faltaste
Fui-me ao lenço e rasguei-o
(...)
Esse coração bordado
Por triste sina era o meu
Por isso ele morreu
Quando o lenço foi rasgado
(...)
Vejo os sorrisos, afagos
Que me deste, hei-de esquecê-los
Pois os teus doces desvelos
Com meus beijos foram pagos
Teus olhos eram dois lagos
Lascivo era o teu seio
Foi tudo efémero enleio
Breve e fugaz ilusão
Magoaste o meu coração
Fui-me ao lenço e rasguei-o
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Estrela da Manhã
Morreu o meu avô.
Fiz toda a viagem para o norte a olhar o céu, enquanto escurecia e só ao chegar à casa é que percebi porquê. Foi o meu avô que me ensinou a reconhecer a Ursa Maior (única constelação que sei identificar) e o que ele chamava a Estrela da Manhã "primeira estrela a aparecer à noite e última a desaparecer de manhã" - dizia.
Apesar de ser Janeiro, apesar de estar perto da Serra da Estrela e apesar de estar um frio de gelar, o céu está limpo, azul escuro, com todas as estrelas alinhadas uma a uma, destacadas, minuciosamente dispostas no céu.
Homem de poucas palavras, nos últimos anos tornou-se quase um mestre zen, interrompendo conversas para dizer duas ou três frases que emudeciam todos por longos segundos, ou então lançar um sorriso cúmplice a alguém, enquanto a maioria achava que não seguia a conversa, por não ouvir bem.
Foi ele que me ensinou a encher e a estalar as dedaleiras, que florescem por aqui na Primavera e que me disse de seguida: "Estamos sempre a aprender, até morrer", foi com ele que aprendi a reconhecer fenómenos meteorológicos olhando o céu e a sua cor, ou a disposição das nuvens ao entardecer.
Por isso, avô...descansa nesse céu de fim de tarde, quando o Verão pinta tudo de rosa e vermelho e a brisa espalha as nuvens em farrapos no horizonte; coloca a Ursa Maior bem grande, para que eu (só assim!) a reconheça "quatro estrelas a fazer um quadrado e uma cauda agarrada, como um papagaio de papel" e acende a Estrela da Manhã, para que recorde que a noite tem sempre uma luz forte algures... e descansa.
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