O meu poema preferido.
O que melhor me define, o que mais sentido faz para mim.
Começo este blog com a homenagem a este texto/poema e claro, a Jorge de Sena, seu autor. Obrigada!
"Uma pequenina luz bruxuleante" - Samuel Úria
Uma pequenina luz bruxuleantenão na distância brilhando no extremo da estradaaqui no meio de nós e a multidão em voltaune toute petite lumièrejust a little lightuna picolla... em todas as línguas do mundouma pequena luz bruxuleantebrilhando incerta mas brilhandoaqui no meio de nósentre o bafo quente da multidãoa ventania dos cerros e a brisa dos marese o sopro azedo dos que a não vêemsó a adivinham e raivosamente assopram.Uma pequena luzque vacila exactaque bruxuleia firmeque não ilumina apenas brilha.Chamaram-lhe voz ouviram-na e é muda.Muda como a exactidão como a firmezacomo a justiça.Brilhando indeflectível.Silenciosa não crepitanão consome não custa dinheiro.Não é ela que custa dinheiro.Não aquece também os que de frio se juntam.Não ilumina também os rostos que se curvam.Apenas brilha bruxuleia ondeiaindefectível próxima dourada.Tudo é incerto ou falso ou violento: brilha.Tudo é terror vaidade orgulho teimosia: brilha.Tudo é pensamento realidade sensação saber: brilha.Tudo é treva ou claridade contra a mesma treva: brilha.Desde sempre ou desde nunca para sempre ou não:brilha.Uma pequenina luz bruxuleante e mudacomo a exactidão como a firmezacomo a justiça.Apenas como elas.Mas brilha.Não na distância. Aquino meio de nós.Brilha.
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